<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-37755740</id><updated>2011-07-28T20:57:26.001-04:00</updated><category term='conhecer'/><category term='viagens'/><category term='fotografia'/><category term='política'/><category term='férias'/><category term='ferias'/><category term='turista'/><category term='novidade'/><category term='trânsito'/><category term='viagem'/><category term='cidades'/><category term='turismo'/><category term='Dia Mundial Sem Carro'/><category term='sentimentos'/><category term='viajar'/><category term='transporte público'/><title type='text'>Debaixo do guarda-chuva</title><subtitle type='html'>Debaixo desse guarda-chuva eu guardo histórias, reflexões, manias, maluquices, idéias que me interessam. Tá chovendo? Vem pra cá!!!</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://debaixodoguardachuva.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37755740/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://debaixodoguardachuva.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Helena Meyer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04556447755094437634</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_yleANIMqQbc/StdBo64GEzI/AAAAAAAAAAc/LhjEZo6zsJw/S220/lelezinha+capa+de+revista.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>20</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37755740.post-352032003291659232</id><published>2010-09-24T10:25:00.004-04:00</published><updated>2010-09-24T10:50:04.111-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Dia Mundial Sem Carro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='trânsito'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='transporte público'/><title type='text'>Dia Mundial Sem Carro – Simpático, mas utópico</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_yleANIMqQbc/TJy6gqPHxsI/AAAAAAAAABk/41NeP1L5g2w/s1600/worldcarfreedays.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 181px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_yleANIMqQbc/TJy6gqPHxsI/AAAAAAAAABk/41NeP1L5g2w/s200/worldcarfreedays.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5520492313505679042" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;É, o título até rimou, mas na verdade não há nenhuma poesia nisso... Anteontem (22/09) foi o Dia Mundial Sem Carro, movimento que começou na França em 1998 e teve sua primeira comemoração no Brasil em 2001. Criado com o intuito de levar os cidadãos a refletirem sobre a dependência e o uso irracional dos automóveis, o evento foi amplamente divulgado pela mídia, apesar da minguada repercussão que a iniciativa teve nas grandes capitais do Brasil.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Vimos que o prefeito do Rio, Eduardo Paes, foi trabalhar de bicicleta, e que o presidenciável José Serra e seu fiel escudeiro, o candidato ao governo de São Paulo Geraldo Alckmin, tomaram o metrô, assim como muitos brasileiros o fazem a cada manhã. Ainda bem que nesse dia, ninguém prendeu uma camisa nas portas de algum vagão, causando um caos de pelo menos 3 horas no funcionamento da nossa grande metrópole. Vimos também que no Rio, carros foram rebocados e multados por desobedecerem à proibição de estacionar no Centro, determinada pela prefeitura que ‘apoiou’ o evento, e ficou feliz com a estratégia de recolher mais alguns trocados para os seus cofres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sou contra eventos desse tipo, que estimulam à conscientização quanto a problemas coletivos. Mais ainda, sofro na carne as conseqüências de um trânsito desorganizado, com engarrafamentos monstruosos e demonstrações de falta de educação por todo lado. Estou consciente do impacto das emissões de CO2 na atmosfera e da eminência de um colapso urbano. Mas sinceramente, acho essas atitudes de políticos pura demagogia: pra mim, eles só querem ‘estar bem na fita’. O Eduardo Paes estava lindo de capacete e bermuda, pedalando pelas ciclovias do Rio, mas o que a sua gestão efetivamente faz para melhorar o transporte urbano? E o Rio não é a única cidade a ter problemas com isso, todas as grandes capitais brasileiras sofrem com a má qualidade do transporte público. Só quem levanta de madrugada e enfrenta o ônibus, o trem ou o metrô para chegar no trabalho sabe o tamanho do problema.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Aqui em Salvador, ainda bem que a população ‘privilegiada’, aqueles que podem ter o seu carro para se locomover, não teve consciência ecológica e não aderiu ao movimento. Se isso tivesse acontecido, o resultado teria sido um desses dois: ou as empresas, lojas, fábricas, hospitais e todo o setor de serviços tinham parado, porque muita gente tinha ficado em casa, ou teria havido o caos, quem sabe até com mortos e feridos, pela falta de estrutura do sistema de transporte para dar conta do aumento do fluxo de passageiros. Na verdade, para nós soteropolitanos, a situação ainda é mais complicada. OK, vamos deixar nossos carros na garagem. E aí? Que opção temos? Tomar o famosos metrô de superfície(se e quando ele ficar pronto), que nos levará do nada a lugar nenhum? Ou disputar a tapas um lugar nos poucos ônibus disponíveis, com linhas e trajetos inadequados, e rezar pra não sermos assaltado até o fim do trajeto? Bem, podemos também tentar a charmosa ‘bike’, sabendo que, na falta de ciclovias, vamos dividir o espaço com motoristas enlouquecidos, raivosos e imprudentes, além de precisar de muito braço e equilíbrio para desviar dos buracos da pista. Bem, resta mais uma opção: porque não usarmos nossas próprias pernas? Subir e descer umas ladeiras é até saudável... mas arriscado. Com ruas sem passeios na sua maior extensão, também disputaremos espaço com os carros e bicicletas, e vamos ter que ser desprendidos o suficiente para cedermos nossos celulares, cartões de crédito, relógios e até os tênis para os ‘amigos do alheio’, como dizia a minha avó.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É por isso que acho que o Dia Mundial Sem Carro, para nós, é uma idéia simpática, porém totalmente inviável. Não usamos nossos carros por falta de consciência ecológica ou de cidadania, e sim, por falta de opção. Se houver realmente investimento maciço no transporte público (sem corrupção!), se o número de carros produzidos e vendidos deixar de ser índice de progresso econômico, se os gestores públicos e os políticos não cederem à pressão da indústria automobilística, se a população se mobilizar e começar a exigir um direito que é seu, já que todos pagam muitos impostos, se ao elegermos nossos candidatos, prestemos real atenção aos seus programas de governo e cobremos para que as promessas sejam cumpridas, quem sabe daqui a uns dez ou quinze anos possamos começar a pensar em abrir mão do uso do carro? Eu ia adorar, pois morro de preguiça de dirigir, e acho estacionar um saco...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Helena Meyer&lt;br /&gt;Setembro 2010&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37755740-352032003291659232?l=debaixodoguardachuva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://debaixodoguardachuva.blogspot.com/feeds/352032003291659232/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37755740&amp;postID=352032003291659232&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37755740/posts/default/352032003291659232'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37755740/posts/default/352032003291659232'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://debaixodoguardachuva.blogspot.com/2010/09/dia-mundial-sem-carro-simpatico-mas.html' title='Dia Mundial Sem Carro – Simpático, mas utópico'/><author><name>Helena Meyer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04556447755094437634</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_yleANIMqQbc/StdBo64GEzI/AAAAAAAAAAc/LhjEZo6zsJw/S220/lelezinha+capa+de+revista.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_yleANIMqQbc/TJy6gqPHxsI/AAAAAAAAABk/41NeP1L5g2w/s72-c/worldcarfreedays.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37755740.post-3920660110308007926</id><published>2010-05-18T11:15:00.002-04:00</published><updated>2010-05-18T11:27:55.312-04:00</updated><title type='text'>Dia Nacional do Museu</title><content type='html'>Um post curtinho, pra variar.&lt;br /&gt;Hoje é o Dia Nacional do Museu. Vi uma matéria enorme na TV sobre os Museus brasileiros e sobre os altos investimentos feitos para a segurança das obras neles abrigadas. Aí a cabeça entra em parafuso... Acredito na educação, na arte e na cultura como instrumentos de redenção do homem e acho que os museus são excelentes fontes de esclarecimento. Portanto, claro que é importante resguardar a memória humana, para que não seja roubada por aproveitadores ou depredada por vândalos! Mas como fazer isso num país que não consegue garantir a segurança das crianças dentro das escolas, que não consegue impedir que a criminalidade se alastre, que não consegue moralizar a política e acabar com a corrupção?&lt;br /&gt;Ah, meu Deus... Ainda temos um longo caminho pela frente...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Helena Meyer&lt;br /&gt;18 de Maio de 2010&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37755740-3920660110308007926?l=debaixodoguardachuva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://debaixodoguardachuva.blogspot.com/feeds/3920660110308007926/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37755740&amp;postID=3920660110308007926&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37755740/posts/default/3920660110308007926'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37755740/posts/default/3920660110308007926'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://debaixodoguardachuva.blogspot.com/2010/05/dia-nacional-do-museu.html' title='Dia Nacional do Museu'/><author><name>Helena Meyer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04556447755094437634</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_yleANIMqQbc/StdBo64GEzI/AAAAAAAAAAc/LhjEZo6zsJw/S220/lelezinha+capa+de+revista.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37755740.post-8144664477068892087</id><published>2010-05-05T17:51:00.001-04:00</published><updated>2010-05-05T22:39:31.299-04:00</updated><title type='text'>Retrato</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_yleANIMqQbc/S-IrrRjbL-I/AAAAAAAAABU/VJC-FZBL7SU/s1600/Pablo-Picasso-Girl-Before-a-Mirror-7600.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 160px; height: 200px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_yleANIMqQbc/S-IrrRjbL-I/AAAAAAAAABU/VJC-FZBL7SU/s200/Pablo-Picasso-Girl-Before-a-Mirror-7600.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5467980920027557858" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Quem eu sou não apaga quem já fui um dia&lt;br /&gt;sou hoje a soma de todos os meus eus de sempre&lt;br /&gt;sou a mesma e sou outra&lt;br /&gt;sou este eu que se vê&lt;br /&gt;e todos os outros eus &lt;br /&gt;que só eu sei que sou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Helena Meyer&lt;br /&gt;Maio 2010&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37755740-8144664477068892087?l=debaixodoguardachuva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://debaixodoguardachuva.blogspot.com/feeds/8144664477068892087/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37755740&amp;postID=8144664477068892087&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37755740/posts/default/8144664477068892087'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37755740/posts/default/8144664477068892087'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://debaixodoguardachuva.blogspot.com/2010/05/retrato.html' title='Retrato'/><author><name>Helena Meyer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04556447755094437634</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_yleANIMqQbc/StdBo64GEzI/AAAAAAAAAAc/LhjEZo6zsJw/S220/lelezinha+capa+de+revista.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_yleANIMqQbc/S-IrrRjbL-I/AAAAAAAAABU/VJC-FZBL7SU/s72-c/Pablo-Picasso-Girl-Before-a-Mirror-7600.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37755740.post-2277900970912680307</id><published>2009-12-20T11:58:00.004-04:00</published><updated>2009-12-22T17:31:38.659-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='novidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conhecer'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='viagem'/><title type='text'>Viajar é ginástica mental!</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_yleANIMqQbc/SzE6r-afSAI/AAAAAAAAABM/-C0WFewZetg/s1600-h/471-ESTA%C3%87%C3%83O+DE+METRO.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_yleANIMqQbc/SzE6r-afSAI/AAAAAAAAABM/-C0WFewZetg/s320/471-ESTA%C3%87%C3%83O+DE+METRO.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5418176353866303490" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Comunicar-se numa outra língua, entender um novo sistema de transporte, escolher o que comer num menu completamente não familiar, andar por ruas que não conhece, pagar ou receber troco em moedinhas esquisitas, tudo isso deve deixar o cérebro a mil... nossos neurônios devem realizar milhões de sinapses ao mesmo tempo, numa tentativa louca do cérebro de se acostumar com tanta coisa estranha, diferente... É por isso que eu penso que viajar é um excelente exercício pra o cérebro.&lt;br /&gt;Quanto mais estranho o lugar, quanto mais diferente da sua rotina doméstica, mais esperto você tem que ficar, e mais você exercita a sua capacidade de deduzir, de compensar o que não sabe, de tirar conclusões em cima de situações completamente ambíguas. A ambigüidade de uma cultura estrangeira (e não falo só de outro país, pode haver uma cultura ‘estrangeira’ a duas horas de viagem da sua cidade natal...) lhe força a pensar, a abrir sua mente para o diferente, a ampliar sua tolerância ao estranho. E à medida que você se acostuma e se sente mais familiarizado e confortável com tudo, você acrescenta esses novos dados ao seu HD mental e se torna uma pessoa melhor informada e mais preparada para a vida. &lt;br /&gt;É claro que existem pessoas que viajam e buscam reproduzir no outro lugar tudo que têm em casa, talvez com medo de perder as suas referências. Outras nem se arriscam a viajar, não têm vontade, não se estimulam, preferem ficar a vida toda fazendo as mesmas coisas porque é muito mais cômodo. Talvez seja por preguiça de exercitar o cérebro. Mas isso já é outra história...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Helena Meyer&lt;br /&gt;Dezembro 2009&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37755740-2277900970912680307?l=debaixodoguardachuva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://debaixodoguardachuva.blogspot.com/feeds/2277900970912680307/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37755740&amp;postID=2277900970912680307&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37755740/posts/default/2277900970912680307'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37755740/posts/default/2277900970912680307'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://debaixodoguardachuva.blogspot.com/2009/12/viajar-e-ginastica-mental.html' title='Viajar é ginástica mental!'/><author><name>Helena Meyer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04556447755094437634</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_yleANIMqQbc/StdBo64GEzI/AAAAAAAAAAc/LhjEZo6zsJw/S220/lelezinha+capa+de+revista.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_yleANIMqQbc/SzE6r-afSAI/AAAAAAAAABM/-C0WFewZetg/s72-c/471-ESTA%C3%87%C3%83O+DE+METRO.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37755740.post-8012057051240569861</id><published>2009-12-19T10:56:00.003-04:00</published><updated>2009-12-19T11:20:44.170-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='turismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cidades'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='viajar'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='viagens'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='turista'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ferias'/><title type='text'>O Turista e o Viajante</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_yleANIMqQbc/SyzvJkTdsKI/AAAAAAAAABE/RZRYC1GzU4w/s1600-h/SDC11497.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 130px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_yleANIMqQbc/SyzvJkTdsKI/AAAAAAAAABE/RZRYC1GzU4w/s320/SDC11497.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5416967399463039138" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vi numa estação de metrô em Londres uma propaganda de cartão de crédito que dizia: “Be a traveller, not a tourist” (Seja um viajante, não um turista). Achei o máximo... Qual a diferença entre um viajante e um turista? Pra mim, em poucas palavras, a diferença é esta: o turista viaja pra ver. O viajante viaja pra viver. &lt;br /&gt;O turista vai a todos os lugares recomendados no guia de viagens que ele invariavelmente carrega consigo. Tira foto de tudo, compra souvenir típico: fitinhas do Bonfim, miniaturas do Cristo Redentor, da Torre Eiffel, do Big Ben, tudo isso vem na sua bagagem de volta. Prefere andar de taxi a caminhar a pé. Sempre segue as recomendações do recepcionista do hotel, afinal ele está acostumado com turistas. Curte bastante toda a infra-estrutura que as cidades turísticas preparam para ele. E não se arrisca: não quer se perder, não quer comer comida ruim, não quer ver o lado ‘feio’ do lugar.&lt;br /&gt;O viajante também vai aos lugares recomendados: afinal, qual a graça de ir ao Rio pela primeira vez e não ver o Cristo Redentor, ir a Paris e não ver a Torre Eiffel, ir a Nova Iorque e não conhecer a Estátua da Liberdade? O viajante também fotografa, e muito. Como já disse alguém, faz parrrrrrte... Mas o viajante tem uma sede diferente. Ele anseia por saber como aquele lugar que está visitando realmente é. Ele observa as pessoas, analisa como elas vivem, como são, como reagem. Ele tenta decifrar as mensagens escondidas que aquele novo lugar tenta lhe passar. Ele tenta compreender como funciona a cidade, por que as pessoas são como são, por que lhe tratam de determinada maneira. E ele, sempre que pode, sai do circuito previsível. Ele faz descobertas próprias, ele encontra novidades das quais se apropria e passa a chamar de suas.&lt;br /&gt;Qual o mal em ser turista? Nenhum... é uma questão de escolha. Além disso, é preciso dizer que nessa teoria de turista versus viajante, não há status definidos. Existe o viajante no turista, e o turista no viajante, em maior ou menor grau. Há só uma ressalva que faço: sendo 100% turistas, corremos o risco de ver só o superficial. Corremos o risco de levar um monte de foto pra casa, de levar uma lembrancinha pra todo mundo, mas não sermos capazes de lembrar o cheiro da cidade e os rostos das pessoas, simplesmente porque não tivemos tempo de prestar atenção a isso enquanto estávamos sendo turistas. As nossas viagens serão reduzidas a um álbum, com fotos que poderiam ter sido facilmente baixadas da Internet.&lt;br /&gt;Tenho o meu lado turista sim, quem não tem? Mas, a cada vez que viajo, me convenço de que as melhores viagens são aquelas em que nos preocupamos mais em sentir e conhecer do que em ver. Essas são aquelas viagens que nos transformam, que nos tornam pessoas mais ricas e mais sábias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Helena Meyer&lt;br /&gt;Dezembro de 2009&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37755740-8012057051240569861?l=debaixodoguardachuva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://debaixodoguardachuva.blogspot.com/feeds/8012057051240569861/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37755740&amp;postID=8012057051240569861&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37755740/posts/default/8012057051240569861'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37755740/posts/default/8012057051240569861'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://debaixodoguardachuva.blogspot.com/2009/12/o-turista-e-o-viajante.html' title='O Turista e o Viajante'/><author><name>Helena Meyer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04556447755094437634</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_yleANIMqQbc/StdBo64GEzI/AAAAAAAAAAc/LhjEZo6zsJw/S220/lelezinha+capa+de+revista.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_yleANIMqQbc/SyzvJkTdsKI/AAAAAAAAABE/RZRYC1GzU4w/s72-c/SDC11497.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37755740.post-8474931946006668587</id><published>2009-10-15T11:23:00.002-04:00</published><updated>2009-10-15T11:28:23.971-04:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='viagens'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='fotografia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sentimentos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='férias'/><title type='text'>A Câmera no Coração</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;                &lt;/span&gt;Numa das viagens que fiz à Chapada Diamantina, BA, conheci uma alemã que vinha viajando pelo Brasil já há alguns meses. Percebi que ela não fotografava nada, nem as vistas deslumbrantes das montanhas, rios e vales, nem as pessoas simples da região, muito menos o grupo de turistas alegres e sorridentes. Perguntei se ela tinha perdido sua câmera, ou se tinha sido roubada. Porque essas eram as duas razões que eu considerava possíveis para que alguém não saísse clicando aquela natureza que nos tira o fôlego. Ela me respondeu, com simplicidade: “Deixei minha câmera em casa.” Eu devolvi, curiosa: “Você não tem vontade de registrar o que está vendo?”. E ela: “Eu registro, só que aqui, na minha mente.” E me explicou que achava um desperdício olhar tanta beleza pelo visor de uma máquina. Ela achava que, fotografando, não olhava direito, e depois só se lembrava do que viu através das fotos. Ela preferia gravar tudo na memória, e pra ajudar, registrava num diário o que via e sentia em cada lugar que visitava.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;                &lt;/span&gt;Confesso que não me lembro o nome dela, mas nunca esqueci o que ela me disse. Também confesso que não deixei de fotografá-la, pois não queria me esquecer dela. Mas a verdade é que, depois desse encontro, procurei refrear meu ímpeto de sair fotografando tudo num clicar sem fim. Comecei a olhar com mais cuidado, a tentar imprimir as imagens na minha memória, e carregar essas impressões com os meus sentimentos naquele momento, como se fotografasse com o coração. Mais uma confissão: não deixo de levar a minha câmera e fotografar o que vejo nas minhas viagens, mas pelo menos hoje eu tenho mais consciência do meu estar naquele lugar.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;                &lt;/span&gt;Estou prestes a fazer uma viagem que, tenho certeza, marcará a minha vida. Inspirando-me na alemã que conheci na Chapada, pretendo fotografá-la com o coração. Resolvi registrar com palavras (se soubesse desenhar, também desenharia...) o que verei e sentirei durante esses dias em que estarei visitando outros lugares. Nunca fiz isso antes, não dessa maneira nem com esse propósito. Não sei se vai dar certo, se terei paciência, persistência e disciplina para isso. Mas vou tentar usar a câmera que tenho no coração. Estou bem animada... Desejem-me boa viagem!!!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Salvador, 15 de Outubro de 2009&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37755740-8474931946006668587?l=debaixodoguardachuva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://debaixodoguardachuva.blogspot.com/feeds/8474931946006668587/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37755740&amp;postID=8474931946006668587&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37755740/posts/default/8474931946006668587'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37755740/posts/default/8474931946006668587'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://debaixodoguardachuva.blogspot.com/2009/10/camera-no-coracao.html' title='A Câmera no Coração'/><author><name>Helena Meyer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04556447755094437634</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_yleANIMqQbc/StdBo64GEzI/AAAAAAAAAAc/LhjEZo6zsJw/S220/lelezinha+capa+de+revista.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37755740.post-2539369328164298198</id><published>2009-02-23T02:10:00.003-04:00</published><updated>2009-02-23T02:16:25.661-04:00</updated><title type='text'>Solidão</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Tenho passado muito tempo sozinha. Não por escolha ou vontade, mas por questões de circunstância, a minha companhia constante tem sido meu gato siamês. Nunca tive muito problema com estar só, e sempre encontrei maneiras muito produtivas de passar o tempo comigo mesma. Mas talvez por ser carnaval, tempo em que as pessoas se reúnem em nome da alegria, e se aglomeram em grupos enormes para festejar, confesso que estou me sentindo um pouco melancólica. Tenho pensado muito no significado da palavra solidão e em como ela se manifesta. É solitário chegar do supermercado e não ter quem lhe ajude a carregar as compras, é solitário fazer as refeições sozinha, é solitário não ter com quem comentar as maluquices que a TV mostra. Esta é a solidão física. Mas existe outro tipo de solidão, que é aquela onde não se está fisicamente só, mas ela existe mesmo assim. É a solidão a dois que Cazuza cantou, é estar sozinho na multidão, rodeado de gente, mas sentindo-se numa ilha. Aliás, uma das melhores explicações para a palavra é a de Adriana Falcão, que diz que solidão é uma ilha com saudade de barco. Lindo, não?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Nessas minhas reflexões, pensei o óbvio: estar só é diferente de ser só. Estar só não é necessariamente ruim. Serve para aprendermos a aproveitar a nossa própria companhia, para travarmos diálogos conosco e tomarmos aquelas resoluções que nem sempre levamos adiante, mas que são úteis para nos mostrar possíveis caminhos. Estar só é também um bom momento para botar a leitura em dia, assistir aquele filme que não vimos no cinema, ouvir música, arrumar as gavetas e também os pensamentos. Nada disso é ruim, se contamos com ouvidos que nos ouçam e braços que nos acolham quando precisarmos, se temos companhia para diversão e alguém para quem cozinhar. Aí, estar só é circunstância e faz até bem. Ruim mesmo é ser só, ilha sem barco perdida no mar. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Ainda bem que não sou só, apenas estou só por um tempo... Tenho amigos que são muito queridos, tenho filhos que, além de filhos são amigos maravilhosos, e tenho o amor de um companheiro que &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;me completa, cuida de mim e me faz uma pessoa melhor. Ainda bem que não sou só...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;  Fevereiro 2009&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37755740-2539369328164298198?l=debaixodoguardachuva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://debaixodoguardachuva.blogspot.com/feeds/2539369328164298198/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37755740&amp;postID=2539369328164298198&amp;isPopup=true' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37755740/posts/default/2539369328164298198'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37755740/posts/default/2539369328164298198'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://debaixodoguardachuva.blogspot.com/2009/02/solidao.html' title='Solidão'/><author><name>Helena Meyer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04556447755094437634</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_yleANIMqQbc/StdBo64GEzI/AAAAAAAAAAc/LhjEZo6zsJw/S220/lelezinha+capa+de+revista.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37755740.post-6086446357787396827</id><published>2008-12-24T13:29:00.003-04:00</published><updated>2009-02-23T02:17:47.868-04:00</updated><title type='text'>Receita de Ano Novo</title><content type='html'>&lt;p  class="MsoNormal" style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;É muita pretensão minha querer fazer o mesmo que o nosso grande poeta Drummond, que escreveu um poema lindo com esse título, e que você pode ler no link abaixo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  class="MsoNormal" style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Mas a verdade é que quando chega essa época do ano, sempre fico pensando nessas coisas, na sensibilidade exacerbada que invade as pessoas, nas declarações de amizade de pessoas que mal conhecemos, nas milhares de mensagens que recebemos por e-mail, nos comerciais de TV nos exortando a sermos melhores, mais felizes, mais bonitos, mais decididos, mais... mais... mais...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  class="MsoNormal" style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Já houve épocas em que eu ficava irritada com tudo isso, achando tudo meio falso e superficial. Mas com o tempo percebi que isso é mais um ritual. O Ano Novo é um ritual, onde a virada do calendário, a mudança no número final do ano faz mais urgente a necessidade de mudança na vida. Mudar aquilo que não gostamos em nós, que nos faz infelizes, que gostaríamos que fosse diferente. Já me dei conta que isso é natural, inevitável. Aceito a minha rendição e registro aqui a minha receita de Ano Novo:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  class="MsoNormal" style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Desejo a todos um Ano cheio de felicidade. Afinal, é o que o ser humano busca a vida inteira, certo? E a palavra felicidade significa coisas diferentes pra pessoas diferentes. Assim, eu só posso falar do que ela significa pra mim. Felicidade é, em primeiro lugar, ter um coração leve e uma mente serena. A vida não é brincadeira, ela nos apresenta tantas surpresas e desafios que, se não tivermos essas duas coisas, não somos capazes de lidar com ela sem ficarmos arrasados quando tudo passa. O segundo ingrediente é bom humor – ele nos ajuda tanto nos bons quanto nos maus momentos. Ter bom humor é ser capaz de ver o lado positivo das coisas, rir das próprias mazelas, e aproveitar a vida com tudo que ela tem de bom, porque ela tem, sim, muita coisa boa. E finalmente, felicidade só existe com amor. É bom ser amado pelo nosso companheiro querido, pelos nossos filhos, família, amigos. É bom saber que alguém se preocupa se chegamos bem, se estamos felizes, alguém se alegra ao nos ver, tem vontade de passar momentos conosco. E também é fundamental sentirmos isso em relação aos outros, amar preenche a vida, nos dá uma sensação de conexão com o outro e com o universo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  class="MsoNormal" style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Quanto ao resto – os tradicionais votos de saúde, prosperidade, sucesso e realizações, estes já fazem parte do discurso esperado, e são importantes. Você deve ter recebido muitas mensagens lhe desejando estas coisas. Junte a tudo isso serenidade, bom humor e amor, e  aí você vai ter todos os ingredientes para um ano pleno e feliz.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p  class="MsoNormal" style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;....&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  class="MsoNormal" style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Esta aí o link pro poema, e um trechinho que adoro...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  class="MsoNormal" style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;http://www.secrel.com.br/jpoesia/drumm.html#receita&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  class="MsoNormal" style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Para ganhar um Ano Novo&lt;br /&gt;que mereça este nome,&lt;br /&gt;você, meu caro, tem de merecê-lo,&lt;br /&gt;tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,&lt;br /&gt;mas tente, experimente, consciente.&lt;br /&gt;É dentro de você que o Ano Novo&lt;br /&gt;cochila e espera desde sempre.&lt;br /&gt;(C. D. de Andrade)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37755740-6086446357787396827?l=debaixodoguardachuva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://debaixodoguardachuva.blogspot.com/feeds/6086446357787396827/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37755740&amp;postID=6086446357787396827&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37755740/posts/default/6086446357787396827'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37755740/posts/default/6086446357787396827'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://debaixodoguardachuva.blogspot.com/2008/12/receita-de-ano-novo.html' title='Receita de Ano Novo'/><author><name>Helena Meyer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04556447755094437634</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_yleANIMqQbc/StdBo64GEzI/AAAAAAAAAAc/LhjEZo6zsJw/S220/lelezinha+capa+de+revista.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37755740.post-5378676870345993041</id><published>2008-04-09T11:34:00.001-05:00</published><updated>2008-04-09T11:37:36.170-05:00</updated><title type='text'>Além do corno, o mico...</title><content type='html'>&lt;p style="font-family: verdana;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;E Eliot Spitzer foi pego com as calças na mão. Uma investigação que mirava corruptos ou terroristas acabou acertando um marido galinha. Pra quem não está ligado nos babados novaiorquinos, estou falando do governador de NY que gastou mais de oitenta mil dólares com os serviços da profissão mais antiga do mundo... Ele não foi o primeiro, e certamente não será o último homem público a ser descoberto pulando o muro. Nas terras de lá, Bill Clinton talvez seja o caso mais famoso, pelas peripécias feitas com uma estagiária nos salões da Casa Branca. Nas terras de cá, essas coisas tem menos destaque, talvez por que não sejamos tão moralistas quanto os americanos, mas de vez em quando surgem na mídia notícias de políticos envolvidos em farras e orgias, financiadas com o nosso suado dinheiro. O mais recente escândalo verde-amarelo foi protagonizado pelo Presidente do Senado Renan Calheiros, e a bem da justiça, é preciso dizer que a Mônica de Renan dá de mil a zero na de Clinton.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p style="font-family: verdana;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Já se especulou a respeito do que move um homem público a se arriscar nessas aventuras sexuais, sem se preocupar com o tanto que tem a perder. Diz-se até que as razões são as mesmas que o alçaram a uma carreira de sucesso: ousadia, desejo de novas experiências e sensações extremas, altos níveis de testosterona, sede de poder, sentimento de invencibilidade. Tudo muito masculino... Quanto aos objetos de desejo, as amantes, também é fácil entender que algumas mulheres sejam seduzidas pela oportunidade de conseguir fama e um substancial incremento na sua conta bancária. Se observarmos bem, elas sempre saem das histórias melhor do que entraram: são fotografadas em revistas masculinas, aparecem em programas de TV, publicam livros, dão entrevistas, viram atrizes, tudo isso a preço de ouro... Nada mal, não?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p style="font-family: verdana;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Mas o que realmente me intriga quando esses casos vêm à tona, é a atitude das esposas enganadas. No auge do escândalo, Silda Spitzer, Hillary Clinton, Verônica Calheiros e outras apareceram na TV ou nos jornais, ao lado dos seus respectivos, nem sempre firmes e fortes, mas solidárias... O que leva uma mulher traída e com sua vida pessoal exposta abertamente na mídia a se humilhar publicamente para dar apoio moral ao marido pecador? Fisionomias compungidas, atitude quase maternal diante de uma travessura, declarações do tipo: "Não sei como meu marido caiu nessa... Homem é mesmo muito besta!” são resultado de que? O que se passa na cabeça dessas mulheres? Não questiono aqui o perdão, a aceitação da traição. Cada um sabe onde aperta o calo, já dizia minha avó, e quem sou eu para julgar o que acontece na vida de um casal? Ninguém realmente sabe o que acontece entre quatro paredes, e a absolvição ou a condenação nesses casos são escolhas muito complexas, só os envolvidos podem decidir. Mas pensando de novo na minha sábia velhinha, lembro que roupa suja se lava &lt;st1:personname productid="em casa. E" st="on"&gt;em casa. E&lt;/st1:PersonName&gt; aí pergunto: pra que esse perdão midiático? Precisa estar lá, ser fotografada, filmada, entrevistada, deixar a vida ser escarafunchada nos mínimos detalhes, declarar publicamente que perdoa? Esse mico é realmente necessário? Essas mulheres, em sua grande maioria, são inteligentes, articuladas, têm uma profissão... O que as leva a assumirem essa atitude de Amélia, a mulher de verdade, a que não tinha a menor vaidade? Será que é realmente nobreza de sentimentos? Amor sincero e incondicional? A crença de que a família precisa ser preservada, custe o que custar? Tenho cá muitas dúvidas... Acho que são muitos os interesses em jogo, há muito o que perder nessas situações, muito mais que um casamento desfeito, ou uma família desintegrada... Talvez a solidariedade pública de hoje se reverta em vantagens futuras... Talvez a humilhação funcione como uma dívida que será muito bem cobrada no momento oportuno... Talvez fique bem na fita... Posso parecer fria e calculista, mas por mais que eu pense, não consigo ver outra razão para tamanho vexame que não seja a vontade de tirar alguma vantagem do episódio, apesar de tudo...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p style="font-family: verdana;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Helena Meyer&lt;br /&gt;Março 2008&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37755740-5378676870345993041?l=debaixodoguardachuva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://debaixodoguardachuva.blogspot.com/feeds/5378676870345993041/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37755740&amp;postID=5378676870345993041&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37755740/posts/default/5378676870345993041'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37755740/posts/default/5378676870345993041'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://debaixodoguardachuva.blogspot.com/2008/04/alm-do-corno-o-mico.html' title='Além do corno, o mico...'/><author><name>Helena Meyer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04556447755094437634</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_yleANIMqQbc/StdBo64GEzI/AAAAAAAAAAc/LhjEZo6zsJw/S220/lelezinha+capa+de+revista.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37755740.post-1741513555381325879</id><published>2008-03-21T10:19:00.001-05:00</published><updated>2008-03-21T10:30:54.130-05:00</updated><title type='text'>A impermanência das coisas</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;Ninguém se surpreende quando o dia termina e dá lugar à noite, que, mais ou menos 12 horas depois, volta para o lugar de onde veio, dando vez ao dia novamente. Tampouco causa espanto o fato de que o calor dá uma trégua e começa a estação chuvosa, marcando o fim do verão e o início do outono. Mais um exemplo: lua nova, crescente, cheia e minguante, com todas as mudanças que isso causa nas marés, nas plantações, nos bichos e nas mulheres. São os ciclos da natureza, vocês dirão. Qual a novidade nisso? Nenhuma...&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Também se sabe que nada como um dia após o outro e que não há bem que sempre dure nem mal que nunca se acabe. Quem vai discutir com a sabedoria popular, que precede nossas bisavós e não falha nunca?&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;A natureza cíclica das coisas desse mundo desde sempre foi assunto dos místicos, profetas e espiritualistas. O Tarô, oráculo milenar e fonte de inspiração para muitos, nos dá duas cartas poderosas. A Roda da Fortuna nos estimula a pensar onde estamos e para onde vamos, porque, queiramos ou não, a roda gira, e resistir a isso só causa estagnação. Segundo o Tarô, satisfação, crescimento e plenitude só vêm se acompanharmos o fluxo, com seus ciclos e ritmos. A Morte, carta por vezes temida, não profetiza má sorte ou perda. Simboliza mudança, transformação, a escuridão que precede a luz, a morte que possibilita o renascimento, o fim de alguma coisa para que outra possa recomeçar. Também o I-Ching, o livro chinês das mutações, nos remete à antiga sabedoria oriental que observa o mundo e o homem, e constata que existe um fluir contínuo do qual nada escapa. Tudo muda, mesmo que as mudanças sejam regidas por princípios imutáveis.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Se a impermanência é natural e está nos princípios universais da vida que conhecemos, eu me pergunto: porque resistimos tanto ao fim dos nossos ciclos? Por que é tão difícil deixar pra trás o que vivemos para nos aventurar em novas experiências? Sofremos ao mudar de casa, ao deixar um emprego ao qual já estávamos acostumados, ao perder a convivência de um amigo querido. Ficamos devastados com o fim de um amor. Nos apegamos ao que não existe mais. Tomamos tudo por certo e somos ingênuos o suficiente para pensar que seremos sempre felizes num determinado lugar, ou com uma determinada pessoa. Esquecemos a mais básica das regras: tudo muda, as pessoas mudam, NÓS mudamos...&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Mas como fazer diferente? Seria esquizofrênico viver achando que tudo é temporário, e que não vale a pena investir energia, tempo, emoção, desejo ou sentimento em nada, por que um dia terá fim. Mas se tivéssemos uma maior consciência da impermanência das coisas, saberíamos aproveitar melhor o que temos, conviveríamos melhor com os nossos, amaríamos mais, procuraríamos ser sempre melhores, e estaríamos mais preparados para encarar o fim dos nossos ciclos, na certeza que novos ciclos viriam, com altos e baixos, com o doce e o amargo, com princípio e fim...&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;/p&gt;Maria Helena Meyer&lt;br /&gt;Março 2008&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37755740-1741513555381325879?l=debaixodoguardachuva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://debaixodoguardachuva.blogspot.com/feeds/1741513555381325879/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37755740&amp;postID=1741513555381325879&amp;isPopup=true' title='10 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37755740/posts/default/1741513555381325879'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37755740/posts/default/1741513555381325879'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://debaixodoguardachuva.blogspot.com/2008/03/impermanncia-das-coisas.html' title='A impermanência das coisas'/><author><name>Helena Meyer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04556447755094437634</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_yleANIMqQbc/StdBo64GEzI/AAAAAAAAAAc/LhjEZo6zsJw/S220/lelezinha+capa+de+revista.JPG'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37755740.post-61728178091772635</id><published>2007-08-24T11:04:00.000-05:00</published><updated>2007-08-24T11:12:53.847-05:00</updated><title type='text'>Bonfim nem um pouco light</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;Esta história se passa durante a Lavagem do Bonfim, evento religioso-carnavalesco que acontece em Salvador todos os verões e é ansiosamente esperado por turistas, devotos e cachaceiros de plantão.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Os personagens principais são um jovem casal nativo dessa cidade doida. A publicitária Daniela é a mulher quase-perfeita: além de muito bonita e gostosa, é inteligente, bem-humorada, espirituosa, articulada e festeira. Adriano, professor universitário com um pé nas artes fotográficas e cinematográficas, também não é de se jogar fora – é um rapaz charmoso, com visão alternativa do mundo, um papo interessante e aquele jeito de menino perdido que derrete o coração de qualquer mulher. Os coadjuvantes dessa história são o sol, o calor, a fé, a festa, as baianas e os baianos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;Tudo começou no dia &lt;st1:personname productid="em que Adriano" st="on"&gt;em  que Adriano&lt;/st1:personname&gt; convidou Daniela pra ir com ele na festa do Bomfim. Isso é convite normal na vida de qualquer baiano, acostumado a essas celebrações sagradas e profanas. Não era a primeira vez que Dani (vamos chamá-la pelo seu apelido, que é como todos a conhecem) iria participar da festa. Afinal, na sua adolescência, ela não perdia um Bonfim Light, aquela festa cheia de menininhas lindas que não suam nem se despenteiam e de rapazes sarados com gel no cabelo, que tomam todas, perdem a linha, mas continuam se sentindo chiques e charmosos. Com o tempo, Dani se plantou, conheceu uma galera mais cabeça e passou a freqüentar a festa do Bonfim num esquema mais alternativo – com a galera cult da agência, ela sempre ficava na barraca da Rita, mulatona simpática que servia cerveja geladíssima e um arrumadinho pra ninguém botar defeito. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;Adriano também era escolado nesse evento socio-cultural-místico-antropológico. Filho de Iansã, mas devoto aplicado de Oxalá, não perdia a festa por nada.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Era uma obrigação: se não seguisse os quase 9 kilometros do cortejo, nada daria certo pra ele naquele ano. Ir atrás das baianas, entoar com elas o Hino do Senhor do Bonfim e os cânticos em Yorubá, cantar com a multidão o último sucesso do Chiclete, tomar banho de alfazema pra espantar qualquer mandinga ou mau-olhado, tudo isso era imprescindível para um tranqüilo desenrolar da vida. Claro que depois a coisa toda desaguava num porre fenomenal, porque afinal ninguém é de ferro, mas isso só lá, ao pé da Colina Sagrada, depois de cumpridos todos os rituais.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;Pois bem, sob essas perspectivas um tanto diversas, lá se vão os dois Avenida Contorno abaixo, em direção ao ponto onde começa o cortejo sagrado, Dani no seu shortinho jeans e top curtinho, Adriano todo de branco, como manda a tradição. São 9 da manhã de um dia ensolarado que promete ser muito, muito quente. Dani questionou porque tão cedo, afinal pra ela o dia normalmente começa depois das 11. Responde Adriano que pra acompanhar o cortejo é preciso chegar cedo. OK, tudo bem, o amor faz essas concessões. De mãos dadas, juntam-se ao fluxo de pessoas que seguem na mesma direção. Baianas vestidas a rigor, com suas alvas rendas, na cabeça turbantes que parecem obras de arte equilibrando jarros floridos. Capoeiristas de calças brancas, andar leve e gingado, contas coloridas no pescoço e berimbau na mão. Negras senhoras, vestidos recatados, terços enrolados nos braços como se fossem pulseiras. Jovens mulatas gostosas, de mini-saia, bocas pintadas e perfume de flor. Negões lindos, cabelos trançados ou não, bermudas coloridas e torços nus. Turistas sorridentes, de olhar espantado e câmeras poderosas prontas a captar todo o espetáculo.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Gente, gente de todo tipo e qualidade, todos com o mesmo propósito – cada um à sua maneira vai louvar o padroeiro da Bahia, Nosso Senhor do Bonfim. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;O cortejo demora a sair. Conforme o costume, tudo que é marcado para as 10 só começa lá pelo meio dia. O sol se esforça pra brilhar com todo ardor, elevando a temperatura em muitos graus e fazendo a alegria dos vendedores de cerveja e água mineral, que circulam habilmente por entre o povo com enormes caixas de isopor na cabeça. A multidão, já meio impaciente, se aglomera num empurra-empura saudável e promíscuo, afinal é impossível evitar o contato físico naquela muvuca organizada. Finalmente ouve-se os cânticos das baianas, e lentamente, como uma grande serpente preguiçosa, a massa humana se move, emanando uma energia quente que é o resultado da fé devota, do desejo de participar, da curiosidade, da vontade de se divertir e do cheiro de suor. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;O calor a essa altura beira os quarenta graus, esquenta as cabeças e sobe pelas pernas, vindo do asfalto pelando. Adriano, com os olhos semi-cerrados, testa molhada de suor, andar lento mas decidido, parece que vai entrar em êxtase a qualquer momento. Silenciosamente, vai lembrando de todos os pedidos que quer fazer ao seu protetor, dentre eles que conserve sempre a seu lado essa mulher maravilhosa. Dani também caminha lentamente, mas é como se suas pernas pesassem 20 quilos cada uma. O suor escorre pelas costas nuas, e ela sente que as três latinhas de Skol que bebeu enquanto esperava começam a fazer efeito. Está zonza, e com uma vontade horrível de ir ao banheiro. Além disso, está com fome, pois não teve tempo de tomar café, e quando fecha os olhos, só consegue se ver sentada na barraca de Rita, comendo arrumadinho. Adriano olha pra ela com carinho, pergunta se está tudo bem. Ela responde que está um pouco cansada, se dá pra eles pararem um pouquinho. Ele então argumenta que se pararem, vão se distanciar muito do cortejo. – "Vamos, minha linda, está pertinho, daqui a pouco estamos lá", diz ele. E de mãos dadas seguem, o amor faz essas concessões. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;Uma hora depois, o cortejo ainda se arrasta. Já dá pra ver a Colina Sagrada, a igreja lá no alto, mas a essa altura, Dani não consegue nem pensar. O calor é insuportável, a cabeça dói, aquela música desafinada lhe irrita profundamente, e o cheiro de suor que paira no ar lhe revira o estômago. Procura Adriano, vê que ele já saiu do transe, e conversa animadamente com uma velha baiana que se afastou um pouco das suas companheiras. Tenta chamá-lo, mas a boca está seca, e a voz que sai é fraca, inaudível. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;A multidão avança, mas ela não. Adriano agora é apenas uma mancha branca, misturado com outras manchas brancas. A cabeça roda, as pernas não são suas. De repente, tudo se apaga... Como num filme, Dani sente que alguém lhe levanta do chão, braços fortes a carregam, e ela encosta a cabeça naquele peito, sentindo um cheiro forte de alfazema. Não quer abrir os olhos, tudo o que quer é sair daquele inferno. Agora sente que os braços salvadores lentamente lhe colocam no chão, o sol já não lhe queima os pensamentos, e um ventinho fresco sopra no seu rosto. Abre lentamente os olhos pra se ver em baixo de um grande tamarindeiro e encontrar o olhar profundo de Faísca, atento e preocupado, os lábios abertos num sorriso que mostram seus dentes alvos contrastando com a pele cor de chocolate. De novo o cheiro de alfazema, e ela lhe ouve dizer, numa voz rouca e mansa: -“E aí, princesa, tá tudo bem? Você apagou, ainda bem que desde a Conceição eu tava lhe filmando... Meu nome é Gervasio, mas a galera da capoeira me chama de Faísca. Quer uma água de coco?” Tudo o que ela conseguiu fazer naquele momento foi dizer que sim com a cabeça, que milagrosamente não doía mais. Sorriu, fechou novamente os olhos, e deitou a cabeça no ombro do seu salvador. Não se sabe o que aconteceu com Adriano, nem que conversa eles tiveram no dia seguinte, mas sabe-se que a publicitária Dani e o capoeirista Faísca passaram uma tarde bastante agradável, entre goles de água de coco, garfadas de arrumadinho, sorrisos abertos, afagos gentis e cheiro de alfazema.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Helena Meyer - Agosto de 2007&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37755740-61728178091772635?l=debaixodoguardachuva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://debaixodoguardachuva.blogspot.com/feeds/61728178091772635/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37755740&amp;postID=61728178091772635&amp;isPopup=true' title='7 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37755740/posts/default/61728178091772635'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37755740/posts/default/61728178091772635'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://debaixodoguardachuva.blogspot.com/2007/08/bonfim-nem-um-pouco-light.html' title='Bonfim nem um pouco light'/><author><name>Helena Meyer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04556447755094437634</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_yleANIMqQbc/StdBo64GEzI/AAAAAAAAAAc/LhjEZo6zsJw/S220/lelezinha+capa+de+revista.JPG'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37755740.post-3628180657157060431</id><published>2007-08-13T09:36:00.000-05:00</published><updated>2007-08-13T09:46:10.975-05:00</updated><title type='text'>O menino e o trator</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:85%;"  &gt;Era uma vez um menino que morava na roça, uma roça tão distante da cidade que tudo o que acontecia lá que não tinha a ver com galinhas, porcos, bois ou cavalos era um evento memorável. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:85%;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Mesmo morando na roça, ou talvez por isso mesmo, o menino tinha a cabeça cheia de idéias mirabolantes. Sonhava muitas coisas, e tratava logo de torná-las realidade, de um jeito muito engenhoso e singelo. Ele adoraria que seu pai tivesse um carro, pra passear pelas estradinhas de barro, ir até a venda, e quem sabe passar um dia na cidade, desfilando pra baixo e pra cima, atrás dos ônibus e caminhões que rodavam por lá, a caminho de outras paragens. E quando chovesse, ele ficaria protegido dentro do carro, vendo a chuva se esparramar no pára-brisa, refletindo a luz dos faróis como se fossem mil caquinhos enquanto a névoa ia embaçando o vidro de dentro pra fora. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;        &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:85%;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;E esse carro existia, estacionado lá em baixo do cajueiro. As laterais eram um cercadinho feito com as tábuas que sobraram da construção do quartinho dos fundos, o teto era feito de lona escura, o pára-brisa, um pedaço de plástico transparente e o volante, a tampa de uma panela velha. Todo mundo podia entrar nesse carro, mesmo em dia de chuva, mas para isso ser possível era preciso estar em boas relações com o seu orgulhoso dono. Qualquer briga, mal-entendido ou pirraça era motivo suficiente para excluir amigos e vizinhos do privilégio de passear naquele milagre da tecnologia.&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Sim, porque o menino era fascinado por tecnologia – tudo que tivesse engrenagem, motor, se movesse ou funcionasse de alguma maneira era motivo de curiosidade e observação atenta. E foi por isso que uma tragédia quase aconteceu. Um dia, a mãe do menino lhe pediu que olhasse a irmãzinha caçula, que estava tomando banho sentadinha numa bacia colocada sobre a mureta da varanda. Era coisa rápida, só enquanto ela ia buscar a toalha pra enxugar a menina. O menino, ciente da sua responsabilidade, chegou perto pra cumprir a ordem da mãe. Mas as tentações são imprevisíveis e irresistíveis. De repente ele ouviu um ronco de motor, e quando se virou pra olhar, lá estava um trator enorme, do tamanho de um dinossauro, com seu longo braço estendido pra frente, aplainando a terra, empurrando as pedras, preparando a estrada para receber mais uma camada de cascalho. Como perder esse espetáculo? Como não correr pra estrada pra ver passar essa criatura extraordinária que tinha pneus gigantescos, fazia um barulho ensurdecedor e exalava um cheiro de óleo queimado que ardia no nariz? Impossível, pelo menos pra o menino dessa história. Esquecido de sua tarefa, ele voou pra cancela e, com os olhos brilhando e o coração saltando no peito, concentrou toda a sua atenção naquela máquina poderosa. Quando voltou a vista pra mureta da varanda, não havia mais bacia, nem irmãzinha, nem nada... Só o choro agudo do bebêzinho estatelado no chão. Apavorado, o menino voltou correndo pra acudir, e deu de cara com sua mãe acalentando o bebê, que tinha um enorme galo na testa e berrava a plenos pulmões, tão alto que nem dava mais pra ouvir o ronco do trator se afastando lentamente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:85%;"  &gt;-- Menino, eu não mandei você olhar sua irmã? O que deu na sua cabeça?!, pergunta a mãe, entre surpresa e zangada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:85%;"  &gt;-- Mãe, foi o trator...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:85%;"  &gt;E mais nada precisou ser dito. Aquele trator passando ali na estradinha de barro causou no menino o mesmo impacto que um disco-voador causaria se aterrissasse no Maracanã. Hoje, já adulto, ele não se impressiona mais com tratores (e nem deixa mais bebês despencarem da mureta), mas ainda gosta de ver aviões levantando vôo, é fissurado por máquinas, sabe tudo sobre os sistemas de esgoto de Paris e está a par de todas as descobertas tecnológicas que aparecem. Quanto à irmãzinha, bem, ela ainda tem dois calombinhos na testa e se tornou surfista, pois cair na água não dói.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Helena Meyer&lt;br /&gt;Agosto de 2007&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37755740-3628180657157060431?l=debaixodoguardachuva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://debaixodoguardachuva.blogspot.com/feeds/3628180657157060431/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37755740&amp;postID=3628180657157060431&amp;isPopup=true' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37755740/posts/default/3628180657157060431'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37755740/posts/default/3628180657157060431'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://debaixodoguardachuva.blogspot.com/2007/08/o-menino-e-o-trator.html' title='O menino e o trator'/><author><name>Helena Meyer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04556447755094437634</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_yleANIMqQbc/StdBo64GEzI/AAAAAAAAAAc/LhjEZo6zsJw/S220/lelezinha+capa+de+revista.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37755740.post-6554273467897380176</id><published>2007-07-29T11:56:00.000-05:00</published><updated>2007-07-29T12:44:22.242-05:00</updated><title type='text'>Igual ou diferente?</title><content type='html'>&lt;p style="font-family: arial;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Há pouco tempo fui a uma festa numa boate badalada da cidade. Decoração recém-atualizada, lugar muito bacana, cheio de gente jovem, bonita e descolada. O ambiente ideal para uma das minhas atividades favoritas, a observação de gente. Alguns observam pássaros, outros observam baleias, ou estrelas. Eu&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-size:85%;" &gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;sou fascinada pelo ser humano e observo gente. Pois bem, lá estavam os rapazes, todos eles muito gatos, de camiseta apertadinha nos braços para mostrar os músculos bem trabalhados e uma corrente prateada no pescoço, porque homem também usa essas coisas. As meninas eram lindas, mulheres magras de longos cabelos lisos e louros, com suas roupinhas super-transadas, sandálias altíssimas (como é que elas conseguem dançar em cima daquilo?) brincos e colares vistosos, e muitas, muitas pulseiras. Todos iguais... Todas iguais... De repente pensei que estava em algum país da Europa, ou mesmo &lt;st1:personname productid="em Santa Catarina" st="on"&gt;em Santa  Catarina&lt;/st1:personname&gt; ou Rio Grande do Sul, dada a grande quantidade de louras. E me dei conta de que não havia sequer uma mulher de cabelos cacheados. Nenhuma... No máximo, encontrei cabelos levemente ondulados, presos em rabos de cavalos, talvez para disfarçar sua inadequação... Fiquei pensando no que leva pessoas a se vestirem iguais, e, mais que isso, a alterarem sua aparência original para ficarem parecidas umas com as outras. Porque confesso, se eu fosse um carinha a fim de pegar alguém naquela noite, ia ficar confuso, sem saber o que escolher, porque todas as mulheres eram parecidas. Ou então ia me dar muito bem, porque era tudo igual mesmo, qualquer uma servia. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p style="font-family: arial;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;No meu filosofar cotidiano, disse a mim mesma: são jovens, mal saídos da adolescência (sim, porque a adolescência hoje, mostram as pesquisas, acaba cada vez mais tarde, bem pra lá dos 20 anos). Os adolescentes estão na fase de afirmação, de negação dos valores dos pais, e têm esse desejo de pertencer a um grupo, a sua tribo. Por isso adotam comportamentos semelhantes, usam uma linguagem própria e vestem-se todos da mesma maneira.&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-size:85%;" &gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;E continuei a observar o vai e vem dos olhares, das abordagens, dos amassos e das recusas, que é outra coisa fascinante, qualquer dia escrevo sobre isso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p style="font-family: arial;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Mas, como dizia minha velha e sábia avó, fiquei com a pulga atrás da orelha. E não me surpreendi quando vi, dias depois, num shopping da cidade, um grupo de mulheres mais velhas, lá pros seus cinqüenta, também incrivelmente parecidas. Eram umas 5 ou 6,&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-size:85%;" &gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;todas louras, vestiam calça jeans, calçavam aqueles sapatos horrorosos de bico fino e salto alto, e carregavam bolsas exatamente do mesmo formato e cor parecida: o famoso ‘ouro velho’. Sabe trilha sonora de cinema, onde uma música é executada em vários arranjos diferentes, mas a gente percebe que é a mesma melodia sempre? Pois é, aquelas mulheres eram variações sobre o mesmo tema. E essa padronização acontece de várias maneiras. São as cores dos carros (você já parou pra contar o número de carros prateados num estacionamento?),&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-size:85%;" &gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;a decoração das casas (você já se sentiu entrando numa loja de decoração ao visitar o novo apê de algum amigo?), a pizzaria pra ir na sexta à noite (você já se perguntou porque aquele lugar fica entupido, com fila de espera na porta, se não oferece nada além de pizza?).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p style="font-family: arial;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Nesse ambiente de tudo igual, sacando um possível nicho de consumo (os diferentes?!), a Ford lançou um comercial que diz mais ou menos assim: “Eu faço parte de um grupo de pessoas que não faz escolhas óbvias, que não segue modinhas, que não vai aos mesmos lugares... se você também tem uma cabeça diferente, deve dirigir o mesmo carro que eu”.  Abstraindo-se o propósito inerente de qualquer publicidade, que é nos convencer (seduzir?) com imagens e palavras&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-size:85%;" &gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;a comprar alguma coisa, o comercial nos leva de uma maneira bem humorada a pensar na pasteurização de comportamentos e de imagens. Sob o pretexto de estar seguindo uma tendência, no fim das contas todo mundo sai fazendo tudo igual, gostando das mesmas coisas, criando em cima de uma mesma estética, numa falta de imaginação que torna tudo muito chato, previsível e monótono. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p style="font-family: arial;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Isso num momento em que se fala tanto em aceitar a diversidade, as diferenças. Num momento em que proliferam campanhas a favor dos índios, dos negros, dos gays, dos deficientes físicos, dos gordos, dos idosos, dos diferentes. Num tempo em que inclusão é a palavra de ordem. São iniciativas louváveis, bem intencionadas. Mas esse discurso de aceitar a diversidade me soa complacente. Só se aceita aquilo que não é agradável, que incomoda de algum modo, ou que desestabiliza.&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-size:85%;" &gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;“Mas se não há outro jeito, fazer o que? Vamos ser bonzinhos e aceitar.” É mais ou menos assim que eu escuto, como se fosse nobre e sublime conviver com as diferenças numa boa. Percebo até uma certa arrogância, como a posição de um ser superior que é condescendente com aqueles que lhe estão abaixo. Porque esse espanto perante o que não se enquadra no nosso gosto, que não se comporta como nos comportaríamos, que não fala a nossa língua, que não ouve a nossa música? Quando realmente houver abertura para o que é diverso, não precisaremos tanta campanha, tanta mobilização. Conviveremos todos com naturalidade e respeito, tentando aprender e ensinar, aproveitando a pluralidade para nos tornarmos mais ricos, mais humanos, melhores.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p style="font-family: arial;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;E em tempo, já marquei com minha cabeleireira &lt;/span&gt;&lt;span style=";font-size:85%;" &gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;um horário para fazer um permanente e pintar meus cabelos de vermelho!!!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: arial;"&gt;Helena Meyer - Julho 2007&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37755740-6554273467897380176?l=debaixodoguardachuva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://debaixodoguardachuva.blogspot.com/feeds/6554273467897380176/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37755740&amp;postID=6554273467897380176&amp;isPopup=true' title='11 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37755740/posts/default/6554273467897380176'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37755740/posts/default/6554273467897380176'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://debaixodoguardachuva.blogspot.com/2007/07/igual-ou-diferente.html' title='Igual ou diferente?'/><author><name>Helena Meyer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04556447755094437634</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_yleANIMqQbc/StdBo64GEzI/AAAAAAAAAAc/LhjEZo6zsJw/S220/lelezinha+capa+de+revista.JPG'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37755740.post-6607268303496934422</id><published>2007-07-03T08:47:00.000-05:00</published><updated>2007-07-03T08:53:14.310-05:00</updated><title type='text'>Prazo de validade</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;"&gt;Que sejam felizes até que a morte os separe. Esse conselho, solenemente proferido nas cerimônias de casamento, é um dos mais acatados que conheço. Você pode até discordar, já que não é toda hora que vemos um casal de velhinhos, lindos com os seus cabelos brancos e suas roupas de festa, celebrar as bodas de ouro cercados de filhos, netos e bisnetos. E a toda hora vamos sabendo de parentes, amigos, conhecidos e celebridades que estão se separando. Mas eu insisto, essa frase é muito verdadeira, se analisada por um outro ângulo. O que faz um relacionamento acabar? O que provoca a separação de um casal? Na maioria das vezes, a morte do sentimento que sustentava a relação, que mantinha os dois juntos. Pode ser a morte do carinho, do tesão, do respeito ou da admiração. Ou de tudo isso ao mesmo tempo. Mas a verdade é que o sentimento morre, e o casal não vê mais razão pra continuar. Normal, corriqueiro, inevitável. O pior é quando o defunto não aparece logo, ou seja, o casal não se dá conta que a morte já os separou, e continua por anos arrastando correntes pesadíssimas, carregadas de tantos sentimentos moribundos. Mórbido, não? Parece até um filme de terror...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Por isso quero propor aqui uma nova regra de comportamento: o casamento com prazo de validade. Contrato de aluguel tem prazo pra acabar, prestação de serviços também. E quando o prazo expira, as partes envolvidas decidem se querem renovar o contrato ou não. Por que isso não pode se aplicar ao casamento, já que, do ponto de vista prático, ele também é um contrato, com juiz, testemunha, assinaturas e tudo&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;"&gt;mais? De acordo com essa proposta, no dia do sim, os noivos fixam data para o fim daquele contrato. Não menos que 5 anos, não mais que 10. Ao fim desse período, eles estão automaticamente solteiros de novo, mas podem continuar casados se quiserem. Para isso, o casal tem que re-avaliar toda a sua vida a dois. É o tão famoso momento de discutir a relação, falar do que é bom, do que incomoda, dos sonhos realizados e a realizar, das frustrações ao longo do caminho, do que mudou e do que continuou igual. Ainda está valendo a pena? Quero continuar acordando junto dessa pessoa todos os dias? A bagunça no banheiro me irrita a ponto de querer jogar tudo pela janela e pular junto? O jogo ou a novela é mais interessante do que ouvir aquela velha conversa sobre os problemas da família? Essas são algumas das perguntas que devem ser respondidas, sem alterações significativas de humor, sem sarcasmo, acusações diretas ou veladas, sem mágoas ou provocações. E o resultado dessa conversa determina se o contrato será renovado com alegria e comemorações, ou se cada um segue seu caminho, em busca de novos parceiros que assim o serão até que a morte os separe. Simples assim...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;"&gt;Mas tem umas questõezinhas práticas que precisam ser consideradas. E a geladeira frost-free? E o home theater que foi comprado no Natal passado? E o carro, o terreno na praia, as jóias, os DVD’s, o gato, o papagaio? Bem, essas coisas podem se tornar um problemão, mas se isso acontecer, é sinal de que o contrato não deve mesmo ser renovado... casal que quebra o pau por causa de grana e bens não deve mesmo ficar junto, não acha? Tenho duas sugestões para essa questão: uma é que o casal vá decidindo ao longo do tempo o que fazer com os bens em caso de separação. Isso pode gerar um pouco de tensão, portanto a outra opção é deixar pra resolver isso depois, se a decisão for de não renovar o contrato. Afinal, aí vai se configurar uma separação mesmo, com todos os dissabores que ela tem, e esse é mais um deles.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;"&gt;As vantagens desse sistema são grandes. O estado de temporariedade impede que determinados sentimentos e percepções se instalem. A acomodação, o desleixo, o deixa-pra-lá-outro-dia-a-gente-vai, o hoje-não-estou-com-dor-de-cabeça vão ser cuidadosamente avaliados, pois podem ter conseqüências indesejáveis. Além disso, o casal será periodicamente levado a analisar seus próprios sentimentos, sua condição de vida, sua felicidade pessoal e conjunta. Quantos casais se queixam que o tempo passou, as coisas mudaram, não são mais os mesmos, mas não perceberam como isso aconteceu? E o que é mais importante, vai ser muito mais difícil arrastar uma relação falida por simples comodismo e falta de coragem de se separar.&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;"&gt;É importante deixar bem claro que não faço apologia das separações. Acho lindo o casal que envelhece junto, gosto de ir a comemorações de bodas, muito mais do que a casamentos. Fico genuinamente comovida com as histórias de duas pessoas que construíram uma vida juntas, enfrentaram um monte de dificuldades e venceram todas. Além disso, acredito no amor, acho que ninguém vive feliz se ficar sozinho por muito tempo, todo mundo precisa de um copinho com duas escovas de dente no banheiro. E também sei que ser feliz a dois dá trabalho, é um constante aprendizado e exige uma capacidade inesgotável de reinvenção. Mas acredito que só vale a pena enquanto for bom, enquanto der mais alegrias do que tristezas. O olhinho tem que brilhar quando um olha pro outro, pelo menos de vez &lt;st1:personname productid="em quando. A" st="on"&gt;em quando. A&lt;/st1:PersonName&gt; simples idéia de não estar mais com aquela pessoa deve dar um aperto no coração. A distância deve trazer saudade. Esses são alguns dos termômetros que indicam que a relação ainda merece um investimento de tempo, energia, dedicação. Se nada disso existir, então é melhor não renovar o contrato. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;"&gt;Essa pode ser uma idéia maluca, mas garanto que ela melhoraria a vida de muita gente que conheço... &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;br /&gt; &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;"&gt;Helena Meyer&lt;br /&gt;Julho de 2007.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37755740-6607268303496934422?l=debaixodoguardachuva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://debaixodoguardachuva.blogspot.com/feeds/6607268303496934422/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37755740&amp;postID=6607268303496934422&amp;isPopup=true' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37755740/posts/default/6607268303496934422'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37755740/posts/default/6607268303496934422'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://debaixodoguardachuva.blogspot.com/2007/07/prazo-de-validade.html' title='Prazo de validade'/><author><name>Helena Meyer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04556447755094437634</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_yleANIMqQbc/StdBo64GEzI/AAAAAAAAAAc/LhjEZo6zsJw/S220/lelezinha+capa+de+revista.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37755740.post-7146099050451641948</id><published>2007-05-16T11:36:00.001-05:00</published><updated>2007-05-16T11:40:51.457-05:00</updated><title type='text'>O menino e as formigas</title><content type='html'>&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Era uma vez um menininho que morava com seu pai, sua mãe e suas irmãs. Todos os dias, seu pai ia trabalhar na roça, e lá ficava o dia inteiro. O menininho era quem levava o almoço do pai, na marmita bem areada enrolada num pano branco. Lá ia ele, olhinhos de ver o mundo, cabeça cheia de sonhos de guitarras feitas de tábua e caixa de fósforo, perninhas finas e ligeiras que atravessavam o pasto até chegar na cancela que dava passagem pra roça de cacau. O pasto era claro, ensolarado e quente, mas a roça era um labirinto sombrio e fresco, com cheiro de umidade das folhas mortas que formavam um tapete avermelhado e escondiam o perigo de cobras, aranhas e escorpiões. O menininho sabia onde ir, ele nunca errava a direção, e levava muito a sério aquela importante tarefa, pois, como dizia sua avó, saco vazio não pára em pé, e seu pai precisava comer. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;  &lt;p  class="MsoNormal" style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;E assim foi naquele dia – ele passou pelo pasto, entrou roça adentro até encontrar seu pai, e esperou sentado em baixo de um pé de cacau enquanto ele comia. Essa era a melhor hora, pois o menino adorava ouvir as conversas dos homens que descansavam os músculos e exercitavam a imaginação, contando casos de valentia e inventando histórias fantásticas. Nesse dia, o menininho nada disse, apenas se admirou em saber que Seu Quirino, aquele velho que morava sozinho no alto do morro, já tinha matado três onças ao mesmo tempo, com uma só bala de espingarda. ‘Cabra retado esse Quirino’, era o que seu pai sempre dizia...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  class="MsoNormal" style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Chegou a hora de voltar pra casa, era mais ou menos uma da tarde. O sol estava forte, mas não conseguia passar por entre as folhagens de maneira plena, só lançando lampejos de luz aqui e ali, que se moviam ao sabor do balanço das folhas. O menininho iniciou sua jornada de volta, como sempre fazia, caminhando por entre as árvores e olhando pro chão, pra não tropeçar em algum toco ou pisar num bicho escondido. Foi aí que ele viu uma coisa que nunca tinha visto antes: o chão estava se mexendo, borbulhava como pó de café recebendo a água fervendo no velho coador lá da cozinha. Quando apurou a vista, viu que estava sobre um mar de formigas. O chão não tinha folhas, não tinha terra, só formigas, formigas vermelhas e enormes que brotavam do nada e andavam em todas as direções... pra qualquer lado que olhasse, lá estavam elas, patas e ferrões prontos a subir pelas suas pernas, entrar pela sua roupa e picar todo o seu corpo. Foi aí que ele começou a correr. Suas pernas pareciam ligadas no motor da máquina de moer cana, moviam-se sem parar. A cabeça era um turbilhão, o coração afundou no estômago e parou de bater, e ele só corria, corria, corria... aquela quantidade toda de formigas podia levá-lo pra dentro do formigueiro e devorá-lo inteirinho, não iam sobrar nem os ossos... Um século se passou até ele chegar na cancela do pasto. Lá o capim era baixo, o céu aberto e a luz clara. O menininho parou de correr, e olhou pra suas pernas magras, esperando vê-las cobertas de formigas presas com seus ferrões à sua carninha pouca. Mas não havia nada, as pernas estavam somente sujas de terra, um arranhãozinho aqui, outro ali, resultados da carreira desabalada pela roça de cacau. Dentro de sua cabeça, o coração batia como um grande tambor, lento, pesado, profundo. E ele se perguntou se realmente aquelas formigas estavam ali, se elas tinham existido de verdade, ou só na sua cabecinha cheia de imagens. E até hoje ele não sabe a resposta, mas uma coisa ele aprendeu: no meio do formigueiro, a melhor coisa a fazer é correr primeiro e pensar depois...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  class="MsoNormal" style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Helena Meyer - 16 Maio 2007&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37755740-7146099050451641948?l=debaixodoguardachuva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://debaixodoguardachuva.blogspot.com/feeds/7146099050451641948/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37755740&amp;postID=7146099050451641948&amp;isPopup=true' title='6 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37755740/posts/default/7146099050451641948'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37755740/posts/default/7146099050451641948'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://debaixodoguardachuva.blogspot.com/2007/05/o-menino-e-as-formigas_16.html' title='O menino e as formigas'/><author><name>Helena Meyer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04556447755094437634</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_yleANIMqQbc/StdBo64GEzI/AAAAAAAAAAc/LhjEZo6zsJw/S220/lelezinha+capa+de+revista.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37755740.post-4865249736662899265</id><published>2007-04-22T17:50:00.000-05:00</published><updated>2007-04-22T17:56:03.369-05:00</updated><title type='text'>Porque você...</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#ffffff;"&gt;Porque você é um whiskas lindo...&lt;br /&gt;...que tem olhos lindos e a boca perfeita...&lt;br /&gt;...tem cabelos de nuvem e a pele macia e cheirosa...&lt;br /&gt;Por tudo isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque você é inteligente, tem senso de humor, me faz rir...&lt;br /&gt;...porque toca a música que meu coração quer ouvir...&lt;br /&gt;...'discute a relação' e tudo o que escreve é poesia...&lt;br /&gt;Por tudo isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque você é &lt;em&gt;all mine&lt;/em&gt;, é catiiiinnnhooo, é XPQ3...&lt;br /&gt;...porque Wanderson é um descarado...&lt;br /&gt;...e Seu Roque é o máximo...&lt;br /&gt;Por tudo isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque você é do bem...&lt;br /&gt;...é honesto, sincero, leal, sereno, sensato...&lt;br /&gt;...e tem o riso fácil e limpo...&lt;br /&gt;Por tudo isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque você é carinhoso, dengoso, gostoso...&lt;br /&gt;...porque aperta o botão vermelho...&lt;br /&gt;...e faz amor com perfeição...&lt;br /&gt;Por tudo isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque você dorme como um menino indefeso...&lt;br /&gt;...mas não tem medo de amar, de se entregar...&lt;br /&gt;...porque você não tem medo de viver...&lt;br /&gt;Por tudo isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque você é sensível e não se envergonha disso...&lt;br /&gt;...porque chora de emoção e é apaixonado pelo amor...&lt;br /&gt;...porque é um homem maravilhoso...&lt;br /&gt;Por tudo isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por tudo isso eu te amo...&lt;br /&gt;Por tudo isso eu celebro a sua vida!&lt;br /&gt;Feliz Aniversário!&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37755740-4865249736662899265?l=debaixodoguardachuva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://debaixodoguardachuva.blogspot.com/feeds/4865249736662899265/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37755740&amp;postID=4865249736662899265&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37755740/posts/default/4865249736662899265'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37755740/posts/default/4865249736662899265'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://debaixodoguardachuva.blogspot.com/2007/04/porque-voc.html' title='Porque você...'/><author><name>Helena Meyer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04556447755094437634</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_yleANIMqQbc/StdBo64GEzI/AAAAAAAAAAc/LhjEZo6zsJw/S220/lelezinha+capa+de+revista.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37755740.post-5670880194223793612</id><published>2007-03-22T10:47:00.000-05:00</published><updated>2007-03-22T11:12:36.600-05:00</updated><title type='text'>Receita para uma vida melhor</title><content type='html'>&lt;p style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:lucida grande;" class="MsoNormal" &gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Parece título de auto ajuda, e na verdade é isso mesmo. Esse texto bem podia estar num dos capítulos desses livros que ensinam às pessoas coisas básicas da vida, e enchem as contas bancárias de seus autores. Sei que algumas pessoas vão torcer o nariz, mas não tenho nada contra os livros de auto-ajuda, assim como não tenho nada contra Harry Potter nem contra revistas &lt;st1:personname productid="em quadrinhos. Eles" st="on"&gt;em quadrinhos. Eles&lt;/st1:personname&gt; têm um papel a cumprir, e o fazem muito bem. Já a revista Caras...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:lucida grande;" class="MsoNormal" &gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:lucida grande;" class="MsoNormal" &gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Voltando ao título, resolvi dar uma de guru ao me dar conta de como muitas pessoas que nos cercam se sentem infelizes e insatisfeitas com a vida. Seria muita pretensão minha tentar resolver os problemas do mundo com umas receitinhas banais. Não, eu sei que a natureza humana é tão complexa a ponto de existir gente que encontra prazer no sofrimento, e que não foi à toa que Freud, Lacan, Jung e outros sábios dedicaram tanto tempo a estudar a psique e a escrever tratados sobre a personalidade do homem (e da mulher). Mas um pouco de bom-humor e uma visão prática das coisas ajudam, por isso lá vai a minha receita. Vou citar quatro ações simples, mas que talvez não sejam fáceis pra todos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:lucida grande;" class="MsoNormal" &gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:lucida grande;" class="MsoNormal" &gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Ação 1 – Viva a sua vida, e não se importe com a dos outros.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:lucida grande;" class="MsoNormal" &gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Não sei por que achamos que temos o direito ou dever de dar palpite em tudo (ou quase tudo) que os outros fazem. E isso se acentua se os ‘outros’ são aqueles mais próximos de nós. Pra que mesmo, hein? Qual o problema se a minha filha pintou os cabelos de laranja, se o filho da vizinha tem sete piercings na sobrancelha, se a namorada do meu irmão é gorda e usa mini-saia (e por sinal, ele adora), se meu colega de trabalho ouve pagode, se meu chefe é gay ou se minha melhor amiga está namorando um cara que eu acho que não tem futuro? O que é que eu tenho com isso? Acho que essa mania de querer interferir em tudo vem do desejo de moldarmos o mundo à nossa imagem e semelhança. Um pouco essa coisa de querer ser Deus, sabe? Mas o problema é que as pessoas são diferentes (e ‘ser diferente’ soa como palavrão pra muita gente), o mundo não funciona de acordo com nossos parâmetros, e não há nada, nada mesmo, que possamos fazer a esse respeito. A não ser encher o saco de todo o mundo com nossas opiniões formadas sobre tudo e todos, e nos sentir extremamente infelizes porque as coisas não são do jeito que a gente quer.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:lucida grande;" class="MsoNormal" &gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:lucida grande;" class="MsoNormal" &gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Ação 2 – Aprenda a viver com menos&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:lucida grande;" class="MsoNormal" &gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Essa talvez seja a ação mais difícil. Somos bombardeados todos os dias com a idéia de que felicidade equivale a ter coisas: um celular que faz até pizza, aquele carro bacana igual ao da cunhada, um par de sapatos que dói no pé mas é a última moda, um cartão de crédito com limite estratosférico. Isso sem falar nas necessidades absolutamente imprescindíveis que até bem pouco tempo atrás todo mundo vivia sem: internet super-hiper-mega-ultra veloz, TV a cabo com 357 canais, cabelo liso e loiro à custa de algumas centenas de reais todo mês, monitoração via celular 24 horas por dia. Tudo isso custa dinheiro, muito dinheiro. E o que fazemos então? Corremos atrás dele como loucos. Parecemos aqueles cachorros de corrida que saem correndo atrás do coelhinho mecânico sem perceber que nunca vão alcançá-lo. Será que precisamos mesmo disso tudo pra ser felizes? Será que vale a pena tanto sacrifício só pra poder comprar um Ford Eco Sport, quando um Palio Fire poderia nos levar onde queremos ir? Será que as noites perdidas pensando em como cobriremos o cheque especial compensa o feriadão naquele hotel badaladíssimo, aquele do lado da pousadinha simples que não tem metade do charme, mas que tem uma diária bem mais em conta? Claro, São Francisco de Assis viveu há séculos atrás, e todo mundo precisa de um mínimo pra viver com conforto e segurança, mas o que eu penso é que hoje esse mínimo está ficando cada vez mais máximo, e a gente não está se dando conta disso. Sábios são aqueles que conseguem ser felizes levando uma vida mais simples.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:lucida grande;" class="MsoNormal" &gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:lucida grande;" class="MsoNormal" &gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Ação 3 – Faça amor com freqüência&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:lucida grande;" class="MsoNormal" &gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;As tias virgens de antigamente eram azedas até não poder mais. Criticavam tudo, perseguiam toda forma de alegria, se escondiam atrás dos terços e das novenas e eram um poço de tristeza e amargura. Tudo bem, a solidão deixa qualquer um mal, mas se elas dessem uma trepadinha de vez em quando, levariam a vida com mais leveza. Hoje, a titia solteirona quase não existe mais, mas há muita gente mal amada por aí, e a gente vê muito isso no trânsito. Aqueles que dirigem xingando todo mundo, se irritam com a lentidão do carro da frente, cortam pela direita e pela esquerda e buzinam alucinadamente por qualquer coisa, certamente não são pessoas que estejam com a manutenção &lt;st1:personname productid="em dia. Uma" st="on"&gt;em dia. Uma&lt;/st1:personname&gt; pessoa bem amada vive de bem com a vida, não se estressa por bobagem, tem leveza no corpo e na alma. A receita ideal é: faça muito amor com quem você ama. Se apaixone, se entregue, ame muito, se desligue desse mundo quando estiver com o seu amor. Se você não tem (ainda) um amor, não se desespere. Olhe em volta, observe, se abra. Não idealize um modelo do parceiro perfeito, ele não existe. Contemple a diversidade e não exija o que as pessoas não podem dar. Busque a essência, isso é o que realmente vale. E se mesmo assim, o seu amor de verdade demorar a chegar, saiba escolher os seus eventuais parceiros. Não saia comendo todo mundo, isso lhe deixa vulnerável e pobre de alma, mas também não se esconda atrás de um puritanismo exagerado e hipócrita. Lembre-se que sexo é uma troca imensa de energia, e deve ser bom, se for feito com critério. E não esqueça que, se sexo é bom, com amor ele é infinitamente melhor. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:lucida grande;" class="MsoNormal" &gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:lucida grande;" class="MsoNormal" &gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Ação 4 – Tome umas de vez em quando&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:lucida grande;" class="MsoNormal" &gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Não estou fazendo apologia do álcool, e moderação é sempre recomendado, mas tem coisa melhor do que, depois de uma reunião super estressante no trabalho, você sair com seus colegas pra tomar uma cerveja gelada, e aproveitar pra botar pra fora tudo o que você quis dizer àquele consultor metido e não pôde? Ou então convidar seus amigos pra comer uma massa que só você sabe fazer e servir com um bom vinho tinto? Ou depois do jantar, assistir um filminho besta com o seu amor bebendo uma cachacinha especial que vocês compraram naquela última viagem à Chapada? Beber com as pessoas que você ama é um ritual, aproximas as pessoas, consolida sentimentos, lhe torna parte de um grupo. E quando a bebida bate, de leve (que ninguém merece aguentar bêbado fazendo besteira!!), você se solta, dá risada de tudo quanto é bobagem, dança uma noite inteira sem cansar, sente um amor incrível pelas pessoas, vê as tristezas e angústias como imagens distantes, e se sente mais feliz. Mas cuidado! Selecione bem seus companheiros de birita, saiba parar antes de dar vexame, lembre-se do seu fígado (ele lhe diz horrores através da ressaca), e leve grana pro taxi. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:lucida grande;" class="MsoNormal" &gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:verdana;" class="MsoNormal" &gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Peço desculpas se fui óbvia ou se assumi um tom catequizador. Não é essa minha intenção, mesmo porque ninguém é obrigado a seguir conselho de ninguém... Enfim, ficam aí as minhas idéias, tomara que sirvam pra alguma coisa...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);font-size:85%;" &gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Helena Meyer - 21 de Março de 2007&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37755740-5670880194223793612?l=debaixodoguardachuva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://debaixodoguardachuva.blogspot.com/feeds/5670880194223793612/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37755740&amp;postID=5670880194223793612&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37755740/posts/default/5670880194223793612'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37755740/posts/default/5670880194223793612'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://debaixodoguardachuva.blogspot.com/2007/03/receita-para-uma-vida-melhor.html' title='Receita para uma vida melhor'/><author><name>Helena Meyer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04556447755094437634</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_yleANIMqQbc/StdBo64GEzI/AAAAAAAAAAc/LhjEZo6zsJw/S220/lelezinha+capa+de+revista.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37755740.post-116691396545805856</id><published>2006-12-23T17:40:00.000-05:00</published><updated>2006-12-23T17:49:00.360-05:00</updated><title type='text'>Salvemos os nossos rituais!!!</title><content type='html'>&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:arial;font-size:85%;"  &gt;De uns tempos pra cá dei pra pensar em rituais. Tenho observado que estamos cercados por eles, sem nos darmos conta disso. Mas o que é mesmo um ritual? Num dicionário, li que a palavra significa liturgia, conjunto de práticas consagradas pelo uso e/ou por normas, e que se deve observar de forma invariável em ocasiões determinadas. Tem a ver com rito, que é qualquer cerimônia de caráter sacro ou simbólico, que segue preceitos estabelecidos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;    &lt;p  style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:arial;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Bem, essa definição me traz de volta o cheiro forte de incenso, o som arrastado dos cânticos entoados pelas mulheres e o sotaque carregado de um celebrante a dizer coisas que eu não entendia enquanto as pessoas se sentavam e se levantavam atendendo às ordens de alguém lá na frente da igreja. Quando criança costumava ir à missa com minha avó, que levava tudo isso extremamente a sério. E acho que essa idéia de ritual como coisa muito chata ficou na minha cabeça por muitos anos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p  style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:arial;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Hoje sei que existem outros rituais importantes, religiosos ou não: casamentos, formaturas, funerais, solenidades militares, posses de presidentes e governadores, aberturas de campeonatos de futebol, cerimônias secretas e obscuras, e todos eles são de domínio de um certo tipo de público, conduzidos coletivamente por todos aqueles que fazem parte da irmandade em questão. Participar de um ritual coletivo lhe faz pertencer a um grupo, seja por que você compreende os símbolos ou porque simplesmente está em conformidade com as normas e práticas. Por isso se dá tanta importância a eles.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p  style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:arial;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Mas o que tem me chamado atenção ultimamente são outros tipos de rituais. São aqueles rituais privados, restritos a uma, duas ou pequenos grupos de pessoas. São aqueles desprovidos de muita pompa, realizados no dia-a-dia, sem muita preparação. Minha empregada quando chega em casa de manhã segue o mesmo ritual todos os dias: ela se benze, me dá bom-dia, lava as mãos, liga a televisão da cozinha, vai trocar de roupa, lava todos os pratos que estiverem na pia para depois então começar a sua rotina de trabalho. É sempre assim, há mais de 20 anos, e acho que nem ela mesma se dá conta de que nunca se benze depois de lavar as mãos ou troca de roupa antes de ligar a TV. Minha filha adolescente ao chegar da escola, deixa a mochila na mesa da sala, corre pro quarto e tira o jeans, que invariavelmente fica lá no chão mesmo (acho que essa é uma parte importantíssima do ritual...), deita na cama e liga pra melhor amiga, que acabou de ver há meia hora atrás. Tenho uma amiga que faz do banho ao fim do dia um verdadeiro ritual: regula a água sempre na mesma temperatura, entra em baixo do chuveiro e deixa a água morna escorrer pelo corpo por um bom tempo, lavando as mazelas de um longo dia de trabalho; depois lava os cabelos, se ensaboa vagarosamente, enxágua, passa óleo hidratante, tudo isso enquanto esvazia a cabeça de todo e qualquer tipo de problema. Só depois disso ela está pronta pra encarar os filhos, o marido, o jantar e o noticiário das oito. Ora, você pode dizer que são apenas ações rotineiras, mas eu insisto, são rituais. São práticas consagradas pelo uso, observadas de forma invariável e que significam muito pra quem as executa. Então se encaixam na definição do dicionário. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p  style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:arial;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Existe ainda o ritual afetivo, amoroso. Esse é normalmente partilhado por duas ou três pessoas, e envolve muito mais sentimento do que inicialmente se supõe. Ele acontece quando a mãe coloca o filho pra dormir e pela milésima vez lhe conta a mesma história, exatamente da mesma maneira, antes de lhe dar o beijo de boa noite e apagar a luz. Está no abraço apertado de todas as manhãs do casal apaixonado, onde os dois trocam energias e se fortalecem para enfrentar mais um dia de trabalho, quando estarão longe um do outro. E também no brinde que os amigos fazem na mesa de um bar, na sexta à noite, celebrando o simples fato de estarem ali, juntos, e sem esquecer de dar um toquinho no gargalo da garrafa pra não secar a fonte. Esses rituais se repetem para consolidar as relações, sinalizar que está tudo conforme deveria estar, unir pessoas que se amam num gesto comum, único e partilhado. São muito importantes na construção da felicidade. São cruciais para manter as relações intactas e as certezas inabaladas. E para minha tristeza, tenho observado que estão ficando raros, diminuem de freqüência a cada dia. Não há mais tempo, paciência ou disposição para eles. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Foram trocados por um beijo rápido, um tchau à distância ou um ‘a gente se fala depois no msn’.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;E a vida vai ficando mais pobre...&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;as pessoas mais sós...&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;o mundo mais triste. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p  style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:arial;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Nessa época do ano, em que somos insistentemente convidados a pensar mais profundamente na vida, lembremos dos nossos rituais perdidos, e tentemos resgatá-los, mesmo que seja com uma nova roupagem, por que não?&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Talvez isso nos ajude a não chegar ao fim do próximo ano com aquela sensação de vazio de que nada foi feito, de que nada de bom nos aconteceu...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;        &lt;p  style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:arial;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Helena Meyer&lt;br /&gt;23 Dezembro 2006.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);font-family:arial;font-size:85%;"  &gt;   &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37755740-116691396545805856?l=debaixodoguardachuva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://debaixodoguardachuva.blogspot.com/feeds/116691396545805856/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37755740&amp;postID=116691396545805856&amp;isPopup=true' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37755740/posts/default/116691396545805856'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37755740/posts/default/116691396545805856'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://debaixodoguardachuva.blogspot.com/2006/12/salvemos-os-nossos-rituais.html' title='Salvemos os nossos rituais!!!'/><author><name>Helena Meyer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04556447755094437634</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_yleANIMqQbc/StdBo64GEzI/AAAAAAAAAAc/LhjEZo6zsJw/S220/lelezinha+capa+de+revista.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37755740.post-116467610493212823</id><published>2006-11-27T20:03:00.000-05:00</published><updated>2006-11-29T09:40:32.373-05:00</updated><title type='text'>Um conto de fadas</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Um conto de fadas&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Era uma vez, num reino não tão distante, uma princesa que morava num grande castelo, cheio de quartos, banheiros e varandas. Lá ela morava, com suas duas filhas... Êpa! Filhas? Princesa que se preza é virgem, nunca beijou na boca e vive esperando o príncipe encantado chegar no cavalo branco pra tirar ela daquele marasmo que é vida de princesa... Mas é que essa princesa era diferente – aliás, esse não é um conto de fadas ordinário, comum... Pois bem, essa princesa vivia no castelo com suas duas filhas e ao contrário das outras princesas, ela não era infeliz – viajava, tinha muitos amigos, ouvia música, dava festas, ia a festas, gostava de dançar, enfim, vivia numa boa – um pouco solitária, pode ser, mas não infeliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só que ela não sabia que lá naquele livrão bem grosso, onde se escrevem todos os contos de fadas, havia um príncipe reservado pra ela. E que, por uma certa confusão nas páginas do livro, esse príncipe nasceu em outro reino, do outro lado do mundo. Por causa disso, a princesa foi construindo sua história longe do seu príncipe – conheceu pessoas, fez carreira, ganhou dinheiro, tornou-se auto-suficiente, acumulou experiências. Mas como qualquer princesa romântica, ela sempre olhava estrelas cadentes e fazia pedidos. Porque ela sentia que faltava alguma coisa, ela sabia que na sua alma original e única havia um cantinho cheio de saudade que precisava ser preenchido, porque estava vazio, escuro e frio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelo seu lado, o príncipe também ia escrevendo sua história. Por que ele também não era um príncipe comum, como os outros, chatos e sem graça. Pra começar, ele não montava um cavalo branco (nem dirigia um carro preto). Não tinha sangue azul, nem terras, nem bens. Mas tinha os olhos lindos, uma boca maravilhosa, as mãos perfeitas, a pele macia e cheirosa, os cabelos de nuvem e guardava seu tesouro na alma de artista. Era um príncipe muito rico, sim, mas sua riqueza estava no espírito livre, na sensibilidade aguçada, na delicadeza de gestos, na honestidade contundente, na inteligência curiosa e sagaz, na atitude crítica e rebelde, na empatia com o ser, no senso de humor às vezes ácido, às vezes infantil, no amor pelos animais (cachorros mais que gatos, é verdade...), no modo generoso como se entregava, na intensidade com que amava, na coragem com que vivia. Mas acima de tudo, o príncipe tinha a música na alma, e não poderia ser feliz sem ela. Sem saber de sua princesa, o príncipe ia abrindo caminhos, construindo e cortando laços, vivendo pequenos e grandes amores (porque o príncipe era um homem apaixonado pelo amor), fazendo música e seguindo numa vida meio nômade em busca da ‘batida perfeita’.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olha, essa história de se misturar as páginas do grande livro pode ter conseqüências graves, sendo a pior delas o não cumprimento do que tem que ser... Por que existem coisas que têm que acontecer, pessoas que têm que se encontrar, e quando esse fluxo é impedido, há um desequilíbrio na ordem natural que desafina pessoas e lugares. Mas enfim, pra sorte desse microcosmo em questão, o lapso não teve implicações maiores do que apenas uma longa busca. E lá um belo dia, finalmente, a princesa e o príncipe se encontraram. Claro que não foi um encontro clássico, ela na janela do seu castelo, ele passando no cavalo branco e acenando com um lenço. Isso faz parte dos contos de fadas antigos, aqueles que todo mundo já sabe o fim. Não, os dois se encontraram numa situação até meio adversa, cada um envolvido na sua própria história e tentando dar conta dela. E foi cada um pro seu lado...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o príncipe era muito, muito esperto, e tinha uma intuição afinadíssima – ele percebeu que aquela era a princesa com quem precisava se encontrar. O destino também ajudou – ou foi a fada madrinha que se deu conta do vacilo e resolveu reparar seu erro? E quando parecia que a história não iria além do que ‘poderia ter sido’, os dois se batem de novo, no mesmo local, e dessa vez, fazem a coisa certa. Com as bênçãos de um som que parecia vir de outro planeta, eles se encontraram, conversaram, trocaram beijos. Em outra ocasião, sob a influência de um concerto de orquestra sinfônica e de uma roçada de pernas por baixo da mesa, o destino foi se delineando até culminar com um seqüestro cheio de assunto... É isso mesmo, a princesa seqüestrou o príncipe... Princesa moderna, essa... Mas a essa altura ela também já pressentia que o cantinho vazio e triste na sua alma poderia ser finalmente ocupado. E daí pra frente, o príncipe e a princesa começaram a escrever uma história única. Aos poucos, foram afinando as palavras e os gestos. Foram se encantando um com o outro. Foram preenchendo os espaços vazios na alma, ao mesmo tempo em que apaziguavam seus corpos, aplacando a fome de amor. E assim foi, para sempre. O príncipe e a princesa se encontraram, se tornaram disponíveis e encantados. Foram muito felizes juntos, viveram cada dia e celebraram intensamente a plenitude desse encontro. E pra quem não acredita em contos de fadas, só se pode dizer uma coisa – que pena!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Helena Meyer - 28 Novembro 2006&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37755740-116467610493212823?l=debaixodoguardachuva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://debaixodoguardachuva.blogspot.com/feeds/116467610493212823/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37755740&amp;postID=116467610493212823&amp;isPopup=true' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37755740/posts/default/116467610493212823'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37755740/posts/default/116467610493212823'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://debaixodoguardachuva.blogspot.com/2006/11/um-conto-de-fadas.html' title='Um conto de fadas'/><author><name>Helena Meyer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04556447755094437634</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_yleANIMqQbc/StdBo64GEzI/AAAAAAAAAAc/LhjEZo6zsJw/S220/lelezinha+capa+de+revista.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37755740.post-116455659779784654</id><published>2006-11-26T15:48:00.000-05:00</published><updated>2007-05-21T11:38:12.479-05:00</updated><title type='text'>A beleza do simples</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp0.blogger.com/_yleANIMqQbc/RlHKGyoerwI/AAAAAAAAAAM/_aStH3EBaZ0/s1600-h/arvoreguardia.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://bp0.blogger.com/_yleANIMqQbc/RlHKGyoerwI/AAAAAAAAAAM/_aStH3EBaZ0/s200/arvoreguardia.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5067053273788100354" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Gosto de mato. Nunca morei na roça, sou urbana até a medula, mas repito, gosto de mato. Se esse gosto está impregnado nos meus genes ou se está escrito na história de uma vida passada, não sei. O fato é que a cada dia me sinto mais atraída e encantada pela vida no interior.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Recentemente fiz uma viagem de carro pelas estradas da Bahia. Viagem simbólica, cheia de significados. Meu companheiro de jornada e guia turístico, pessoa muito especial que eu amo demais, compartilhava comigo uma volta às origens, e teve a carinhosa sensibilidade de me levar por uma estradinha esburacada e sinuosa, para eu ver o mato... Cortando a barriga da montanha, passamos por fazendas, plantações, riachos, cerquinhas, vaquinhas e casebres. Um por do sol de tirar o fôlego nos reverenciou naquela tarde e me deu saudade de uma vida que não vivi. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Sempre fico impressionada com a auto-suficiência da natureza... ela está lá, soberana e independente, sem se importar com a nossa felicidade ou tristeza, tranqüilidade ou preocupação. Se temos planos, pressa ou sonhos, tanto faz. As montanhas, as árvores, os campos e os rios se bastam. Sofrem e se alegram com o ritmo da natureza, se transformam ao sabor do sol ou da chuva, do calor ou do frio, se reconstroem num ciclo eterno sobre o qual não temos o menor controle ou interferência. Isto é, se a nossa estupidez não alterar esse ritmo perfeito com alguma queimada, desmatamento ou contaminação. Mas isso é conversa para outra hora. O que conta é que eles estão sempre lá, senhores do tempo... As árvores guardiãs, aquelas enormes que ficam sozinhas no meio dos descampados, na sua sabedoria vegetal contemplam as eras, indiferentes ao ir e vir do homem. Se agitam com o beijo do vento, se ressentem da crueldade do sol, se alimentam da essência da chuva e dominam o espaço e o tempo, mesmo sem saírem do lugar. Estão lá por todo o sempre, guardando o mundo. As águas que correm poderosas acima ou abaixo do solo, carregam histórias que nem compreendem, cantam músicas que nenhum instrumento consegue reproduzir, lavam e levam tudo por onde passam, numa corrida às vezes serena, às vezes insana, mas sempre incessante. Não gosto da idéia de que a natureza está no mundo pra servir ao homem. Não, acho que na verdade ela não está nem aí pra nós humanos. Ela é, simplesmente. Tão simples, que se torna indescritivelmente bela.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;E nesse universo se insere o homem do campo – o tabaréu, o caipira, o roceiro, palavras carregadas de preconceito... Por que? Certamente ele tem muito mais sabedoria do que nós, bichos cosmopolitas. Pra começar, ele não precisa de muito pra ser feliz: o vestido novo florido, a festa da padroeira, Bruno e Marrone no radinho de pilha, a posição certa da antena de TV no telhado, a conversa animada das comadres na porta de casa, a dose de cachaça na venda depois de um dia de trabalho... pra que mais? Além disso, ele tem um entendimento dos ciclos naturais da vida que lhe permite ficar horas assuntando, assuntando, diante de uma cachoeira, pra depois ir pra casa dormir e sonhar com uma bicicleta que não quebre.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Nessa minha viagem conheci pessoas muito interessantes. O rapaz de 17 anos que parece ter doze e fala com autoridade sobre jibóias escondidas entre o capim no riacho, cacaus clonados e bois bravos... O garotinho de 6, magrinho, perninhas finas e olhar curioso, que anda uma distância enorme pra ir à escola e não sabe como se faz uma cópia, lava os pratos no rio, toma carreira de vaca parida, quebra todos e ainda apanha por isso... A mãe de família que, apesar de ter sofrido a dor de perder dois filhos e precisar tomar uma batelada de comprimidos por dia (15, me disse ela), ainda ri e acolhe a todos com calor e alegria... O ex-garimpeiro, hoje zelador da igreja, que ganhou muito dinheiro, gastou tudo com mulheres, foi vítima da inveja dos amigos e perdeu até o terno de linho branco. São personagens inesquecíveis, são figuras que, despidas de todo glamour ou sofisticação nos ensinam lições que não vêm em livro nenhum. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;Não sei se gostaria de morar na roça... Talvez minha alma seja viciada no caos urbano, se alimente de stress e agitação e não consiga suportar a solidão do silêncio, que vem junto com a noite cheia de estrelas. Mas com certeza eu queria muito poder me despir de todas essas cascas com as quais nos cobrimos, e ser capaz de apreciar toda a beleza que existe nas coisas simples.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Helena Meyer&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;26 Novembro 2006&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37755740-116455659779784654?l=debaixodoguardachuva.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://debaixodoguardachuva.blogspot.com/feeds/116455659779784654/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37755740&amp;postID=116455659779784654&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37755740/posts/default/116455659779784654'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37755740/posts/default/116455659779784654'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://debaixodoguardachuva.blogspot.com/2006/11/beleza-do-simples.html' title='A beleza do simples'/><author><name>Helena Meyer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04556447755094437634</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_yleANIMqQbc/StdBo64GEzI/AAAAAAAAAAc/LhjEZo6zsJw/S220/lelezinha+capa+de+revista.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_yleANIMqQbc/RlHKGyoerwI/AAAAAAAAAAM/_aStH3EBaZ0/s72-c/arvoreguardia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry></feed>
